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Sobre os Globos de Ouro e a HFPA

Dia 12 de janeiro serão entregues os septuagésimo primeiros Globos de Ouro, apresentados por Tina Fey e Amy Poehler no Salão Internacional do hotel Beverly Hilton, em Beverly Hills. Uma ótima ocasião para contar a fascinante história da Hollywood Foreign Press Association e do surgimento dos Globos de Ouro.

O impulso que levaria à criação da Hollywood Foreign Press Association começou em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, quando um grupo de jornalistas estrangeiros baseados em Los Angeles perceberam que, juntos, provavelmente teriam melhor acesso às estrelas de Hollywood. Estavam certos, é claro – o período marcava o auge do domínio do mercado domestico norte americano sobre todas as decisões dos estúdios, que, na maior parte dos casos, nem sabiam o que eram e o que representavam as publicações para as quais os jornalistas escreviam. A primeira cerimônia de entrega dos Globos de Ouro foi uma festa bem simples em 1944, nos estúdios da 20th Century Fox.

Depois de um começo tranquilo, o grupo inicial de fundadores se dividiu em dois nos anos 1950: The Hollywood Foreign Correspondents Association and the Foreign Press Association of America. Depois de alguns anos de tensão, os dois grupos finalmente perceberam que, como haviam intuído no princípio, a união de fato fazia a força. E assim, em 1955, surgiu a Hollywood Foreign Press Association. Seu lema, desde o início, foi “União sem Discriminação de Religião ou Raça”. Palavras fortes para um período marcado por tanta intolerância, mas que mostram, desde o princípio, uma visão ampla e focada na diversidade, e que hoje guiam 93 jornalistas de todos os cantos do mundo, cujas reportagens e resenhas são lidas por mais de 250 milhões de pessoas.

Em meados dos anos 1960 os Globos passaram a ser transmitidos pela televisão, embora apenas localmente no sul da California. Nessa época os próprios jornalistas anunciavam os vencedores, e a cerimônia não tinha nada de especial. Até que, em 1958, uma alegre reviravolta mudou tudo: Frank Sinatra e seus amigos do Rat Pack, Dean Martin e Sammy Davis Jr. decidiram que eles eram apresentadores muito animados – subiram ao palco e começaram a entregar as estatuetas. A platéia adorou a surpresa e, no ano seguinte, Sinatra e seus amigos foram oficialmente convidados a apresentar o evento. Ali estava a raiz de uma longa tradição – a de que os Globos de Ouro são a maior, melhor e mais animada festa de Hollywood, o evento mais divertido da temporada de prêmios.

Ao longo dos anos, a popularidade e o prestígio dos Globos vem crescendo em popularidade e prestígio. A cerimônia de entrega do prêmio, transmitida mundialmente, é o segundo evento mais visto da temporada-ouro. Muita gente vê os Globos como “precursores do Oscar”, uma espécie de oráculo capaz de apontar quem vai ganhar a cada ano. As grandes diferenças entre o pool de votantes entre um e outro – jornalistas estrangeiros em um, profissionais da indústria em outro – praticamente asseguram que as escolhas finais serão bastante diversas. Mas há, de fato, uma correlação importante entre as listas de indicados – por sua posição no calendário, no início do ciclo de prêmios, ou pelo fato de que seus votantes, como jornalistas que são, tem como dever de ofício ver o maior número possível de filmes e séries de TV, é como se os Globos delimitassem o âmbito da premiação a cada ano, apontando quais trabalhos, em cada safra, são mais dignos de destaque.

Há outros aspectos importantes e únicos nos Globos – o fato do prêmio destacar excelência em comédia e drama, indicando, todo ano, 10 diferentes filmes e 20 atores e atrizes principais; e o reconhecimento de cinema e televisão no mesmo troféu, com o mesmo nível de honrarias. Na verdade, os Globos estão estabelecendo uma outra tradição – a de serem pioneiros em reconhecer o novo e o contemporâneo na TV, não discriminando entre televisão “tradicional” e as novas plataformas de distribuição, e sendo os primeiros em reconhecer a excelência de séries como Mad Men, Girls e Top of the Lake. E não se pode esquecer que, no cinema, os Globos tiveram também escolhas ousadas, como o prêmio para Central do Brasil como melhor filme estrangeiro, a indicação para Cidade de Deus na mesma categoria, o Globo de melhor diretor para Ben Affleck, por Argo, e o de melhor filme para Brokeback Mountain – todos prêmios na contramão de outras estatuetas.

O que acontecerá este ano? Só mesmo ficando ligado domingo, dia 12, para saber…

Ana Maria Bahiana