Alice Braga, Cidadã do Mundo

by Gabriel Lerman June 23, 2016
Alice Braga in the series Queen of the South

Alice Braga numa cena de Rainha do Sul (Queen of the South) e na premiere em Miami, com o elenco da série.

NBCUniversal-USA Network

Começa esta semana a temporada de estréia, no canal USA, Queen of the South, uma série de impacto que segue a trajetória de uma moça humilde (Alice Braga) que se transforma em uma poderosa chefona do narcotráfico. Inspirada no best-seller do autor espanhol Arturo Pérez-Reverte  - que por sua vez já foi a base para uma telenovela mexicana de sucesso, protagonizada por Kate del Castillo - esta nova versão da saga de Teresa Mendoza tem um elenco predominantemente latino, como os mexicanos Verónica Falcon e Gerardo Taracena, o filho de dominicados Hemky Madera e o português Joaquim de Almeida. Braga,  a atriz brasileira que abriu caminho em  que Hollywood graças ao seu trabalho em Cidade de Deus, em 2002, tem sabido aproveitar  todas as oportunidades que aparecem em seu caminho. Ela conversou conosco sobre sua estréia na TV norte americana, e sua fascinação pela personagem criada por Pérez-Reverte.

Quando lhe ofereceram o papel você se preocupou se seria comparada com a Teresa Mendoza interpretada por Kate del Castillo?

_Não, porque sou fascinada pela personagem desde que tinha uns 8 anos, quando li o livro. Foi por isso que me interessei pelo projeto: pela personagem. Quando eu estava conversando com os produtores essa questão não me preocupava, mas quando me escolheram para o papel sim, tive que levar isso em conta, porque o trabalho de Kate foi assombroso. Não foi bem me preocupar, foi mais pensar sobre isso, porque muitos atores interpretam os mesmos papéis, isso não é novidade. De todo modo, esta seria uma versão diferente, e eu queria ter minha visão própria da personagem, vinda da paixão que tenho por Teresa.  Os roteiristas decidiram não seguir o livro e cruar uma nova jornada para, e isso já traz uma enorme diferença para a série, com relação à novela. Mesmo assim tentei basear tudo o que pude na pessoa que ela é e também nos coisas que os roteiristas me passaram. Não seguir o livro pra mim foi doloroso, no início, mas mesmo assim decidi recriar a Teresa que sempre me fascinou – foi por causa dela que aceitei trabalhar na série.

O que em Teresa te atraiu especialmente?

_É uma personagem interessante, e também me atraiu a oportujidade de ser a protagonista de uma série num momento em que há uma grande discussão sobre a falta de bons papéis femininos.  O que amo em Teresa é que ela vem da pobreza mas nunca se põe no lugar de vítima, embora tenha sido estuptrada na adolescência e nunca ter tido uma família. Ela tem essa força de ir adiante na vida. Isso a torna uma personagem interessantíssima.

No primeiro episódio nós a vemos tanto como a chefe do narcotráfico em que ela se transforma quanto como a menina humilde que ela foi. Foi desafiador para você mostrar essas duas facetas da mesma personagem?

_Claro que foi, e isso é ótimo! No livro ela está sempre observando a si mesma. Mas no primeiro episódio, quando a vemos transformada já na rainha ela é uma pessoa misteriosa. É um grande salto da menina que passou por coisas tão difíceis, que foi sequestrada e perseguida pelo carter e agora se converteu na chefe do negócioa.  Mesmo depois de ter  filmado 13 episódios continua,os bucando o tom certo, o ponto de contato entre esses dois lados de Teresa. Para mim é claro que não se trata de duas mulheres diferentes. É uma única mulher que ao longo da vida foi crescendo e aprendendo a se transformar.

Na sua opinião por que o mundo da droga inspira tantas histórias?

_ Porque é um mundo exclusivo, ao qual poucos pertencem. Infelizmente ouvimos muito sobre esse mundo porque ele é tão violento. O que está acontecendo no México é muito triste e perturbador. O que os cartéis qestão fazendo com o país é uma atrocidade.  Do mesmo modo como em Breaking Bad, esta também é  uma historia sobre uma personagem verdadeiramente única, que acaba se envolvendo numa história muito louca. O resultado é algo muito atraente porque estamos num mundo absolutamente desconhecido, pelo menos pra mim. É uma vida cheia de adrenalina, onde o poder está sempre em jogo E isso é completamente diferente de nossa vida cotidiana.

O quanto é importante para você ser uma mulher latina protagonizando uma série?

_ Muito  importante. A comunidade latina é tão grande nosEstados Unidos, que as emissoras precisam de conteudo que atenda essa plateia. Creio que um dos atrativos da série é poder chegar nessa audiência latina,e, para nós, é poder ver um elenco que em sua maioria pertence à nossa comunidade.  Sim, é uma série violenta, sobre drogas, porém não deixa de ser entretenimento e para os latinos se ver representado na tela, grande ou pequena, é maravilhoso. Além disso é uma grande oportunidade para nossos atores.  De todo modo gostaria de esclarecer que não somos “atores latinos” – somos atores e somos latinos, o que é uma grande diferença.

Se em 2006, quando você chegou a Sundance para promover o filme mexicano Sólo Dios sabe alguém tivesse lhe dito que em breve você teria sua própria série nos Estados Unidos, e ia trabalghar em Hollywood co, Will Smith, Matt Damon y Woody Harrelson, qual seria sua reacão?

_Eu teria dito que essa pessoa estava inteiramente louca…

Você se surpreende ao ver onde chegou?

_Claro! Se uma pessoa tivesse mesmo me dito isso 10 anos atrás eu teria rido, dado um abraço, e dito que ela estava louca. Eu sabia que trabalhar nos Estados Unidos era uma possibilidade mas jamais imaginei ter as oportunidades que tive. Por isso sou grata a todos que abriram as portas para esta estrangeira. Quando fiz Repo Men com Jude Law e Forrest Whitaker (dir. Miguel Spochnik, 2010), minha persoangem tinha sido escrita para uma britânica loura ; quando me apresentei no teste eles gostam e fiquei com o papel. Mas não sabia ainda o que seria de mim, depois.

Por que você continua trabalhando no Brasil quando aqui você tem tantas oportunidades?

_ Porque amo trabalhar lá, é de lá que eu sou, é para lá que eu quero sempre voltar.  Por enquanto eu vivo entre São Paulo e Los Angeles. Mas acabo de passar 3 meses lá e vou voltar para lá dentro de um mês para fazer meu próximo filme. Adoro o cinema brasileiro, acho que há excelente diretores no Brasil e me sinto muito honrada cada vez que eles me chamam para trabalhar, porque posso aprender com eles. Além disso adoro filmar na América Latina.  Trabalhei numa coprodução entre Chile y Brasil e amaria filmar de novo México.  No Chile também. Acho importante fazer todo tipo de trabalho porque é assim que se aprende sobre a cultura do lugar. Em qualquer lugar do mundo que me conmvidem, é ali que eu quero trabalhar…

(Tradução do espanhol por Ana Maria Bahiana)