Fast and Furious: How the world was won.

by Ana Maria Bahiana May 15, 2015

Looking back at the long, strange trip that transformed an obscure little project into one of the biggest franchises in the world – driving home the importance of international markets in the digital era.

A atriz brasileira mais bem sucedida na difícil arena de Hollywood pode ser um nome que raramente aparece quando o tema entra em pauta: Jordana Brewster. Certo, Jordana é apenas meio brasileira, por conta de sua mãe, a modelo e (ícone dos anos 1970) Maria João. Mas ela mesmo se considera “brasileira mesmo– falo português fluentemente, adoro feijoada e caipirinha. Tenho familia no Brasil e visito sempre que posso. É um elemento importante em minha identidade.” E Jordana faz parte de uma das franquias mais populares e rentáveis dos últimos 15 anos: Velozes e Furiosos.

São sete longas, dois curtas – Turbo Charged Prelude (2003, direção de Philip Atwell) e Los Bandoleros (2009, direção de Vin Diesel), ambos incluídos nas versões de DVD/BluRay do primeiro e do quarto longas da franquia, respectivamente – e um video game, e mais de 3.5 bilhões de dólares arrecadados nas bilheterias mundiais, fazendo da franquia o projeto mais lucrativo em toda a história dos estúdios da Universal (que tem, entre outras marcas de sucesso, títulos como Tubarão, ET O Extraterrestre e Parque dos Dinossauros). Em, abril o mais recente Velozes e Furiosos conseguiu o realizar o sonho de toda a indústria, tornando-se o filme de maior bilheteria na China, o mercado mais cobiçado do momento: 323 milhões de dólares em ingressos vendidos, três milhões a mais que a já polpuda arrecadação nos Estados Unidos.

Quem poderia prever o monumental sucesso da franquia em 2000, quando uma propriedade intelectual esquecida nos desvãos de desenvolvimento da Universal – um artigo da revista Vibe sobre pegas de carros em Nova York – chamou a atenção do veterano diretor Rob Cohen. Com um currículo sólido principalmente na TV (Miami Vice, thirtysomething), Cohen imediatamente viu paralelos com a cultura de corridas de rua de Los Angeles e propôs o projeto ao estúdio, lembrando que a casa já tinha acesso ao título perfeito para o filme – The Fast and the Furious, título de um filme B de 1955 da American International Pictures de Roger Corman.

Vários roteiristas desenvolveram a ideia sob a direção de Cohen – um deles, David Ayer, se tornaria um diretor de primeira linha nas décadas seguintes. Com um orçamento modesto para um filme de ação – 38 milhões de dólares – e um elenco de atores jovens com carreiras em diferentes estágios de ascensão – Paul Walker, Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson e, é claro, Jordana Brewster - Velozes e Furiosos estreou em junho de 2001 nos Estados Unidos, durante a super-competitiva temporada de verão, enfrentando pesos-pesados como Moulin Rouge!, Swordfish-A Senha e A.I. Inteligência Artificial.

Contra todas as expectativas (inclusive do próprio estúdio), o pequeno filme que quase não é feito estreou em primeiro lugar, e, ao final da temporada, tinha faturado quase 145 milhões de dólares nos Estados Unidos e mais de 62 milhões no exterior.

A franquia iria passar por muitas transformações e obstáculos em sua longa vida. Os dois filmes seguintes - + Velozes + Furiosos, dirigido por John Singleton, e Velozes e Furiosos 3, dirigido por Justin Lin – tiveram uma queda sensível na bilheteria norte-americana, mas algo notável aconteceu: nos mercados internacionais, eles foram mais bem sucedidos que o primeiro título da franquia. A mensagem era clara: o público para a saga dos justiceiros e seus carros incrementados estava pelo mundo afora.

O apelo altamente visual e imediato dos carros como co-protagonistas está, com certeza, no coração do sucesso da franquia. Outros elementos importantes: presença de Justin Lin como diretor dos três filmes seguintes (substituido por James Wan, criador da franquia Jogos Mortais, em Velozes e Furiosos 7) o elenco multi-étnico, e as locações internacionais, inclusive o Rio de Janeiro em Velozes e Furiosos 5: Operação Rio.

A morte inesperada de Paul Walker em novembro de 2013, no meio das filmagens do sétimo lançamento da série, foi um abalo profundo. Com mais de uma década juntos, o elenco havia se tornado, nas palavras de Jordana, “uma família de verdade”. “Foi incrivelmente difícil fazer as cenas mais emocionais sem Paul”, Jordana conta. “Tínhamos que parar várias vezes.”

A franquia, contudo, continua firme e forte, comprovando que o segredo do sucesso, hoje, está nos filmes que sabem dialogar com o mercado mundial. Em abril de 2017 estreia Velozes e Furiosos 8.

Ana Maria Bahiana