How The Dinosaurs Ruled The World: The Making Of Jurassic Park

by Ana Maria Bahiana June 11, 2015

Onde você estava em outubro de 1989? Em outubro de 1989 Steven Spielberg estava conversando com o escritor Michael Crichton sobre um projeto para televisão, quando ele mencionou um livro que estava escrevendo sobre a possibilidade, teoricamente real, de clonar espécies pré-históricas a partir de DNA preservado em fósseis. Spielberg acabaria produzindo a série de Crichton - o grande sucesso ER, baseado nas experiência do autor como médico residente – mas o que mais o animou foi a tal história dos animais pré-históricos clonados.

Spielberg, então com 43 anos, vinha de uma arrancada de sucesso após sucesso desde sua eclosão em 1975 com Tubarão. Era uma filmografia que tinha arrasa-quarteirões como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Indiana Jones e A Arca Perdida, ET O Extra Terrestre, A Cor Púrpura, Indiana Jones e o Templo da Perdição, Império do Sol e Indiana Jones e a Última Cruzada. E embora disssesse que não, Spielberg estava intensamente preocupado em definir seus novos projetos.

Para seu horror, vários estúdios e já estavam fazendo propostas de compra do livro que ainda estava sendo escrito – a Warner para Tim Burton, a Fox para Joe Dante e a Columbia para Richard Donner. Mas Spielberg, com o apoio absoluto da Universal – onde sua carreira de sucesso havia sido gestada – pôs na mesa uma oferta melhor que a da concorrência: além de 1 milhão e meio de dólares pelos direitos de adaptação do livro, Crichton receberia mais 500 mil dólares para escrever o roteiro.

O livro se chamava Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros.

O trabalho de desenvolvimento começou em 1990 e durou mais de dois anos, com o veterano David Koepp reescrevendo o roteiro com mudanças substanciais na trama. Um problema atormentava Spielberg: como por na tela dinossauros realistas o suficiente para contracenar com seu elenco – Laura Dern, Sam Neill e Jeff Goldblum – e manter a platéia eletrizada, na beirada de seus assentos?

Um time especial de craques dos efeitos foi reunido para resolver a questão: Stan Winston, mestre de prostéticos e animatronics (Exterminador do Futuro, Aliens) ficou encarregado dos dinossauros “reais”, que contracenariam a maior parte do tempo com o elenco; Michael Lantieri, colaborador assíduo de Robert Zemeckis, Tim Burton e do próprio Spielberg na franquia Indiana Jones, seria o supervisor dos efeitos diante da câmera, em cena; e Dennis Muren, um dos sócios-fundadores da Industrial Light and Magic, teria a tarefa de fazer o até então impossível – colocar na tela dinossauros virtuais, criados em computador.

“No primeiro filme nós não tínhamos a menor certeza de que os animais que havíamos criado funcionariam numa tela grande”, Muren nos diria em 1997, quando o segundo título da franquia, O Mundo Perdido, estreava com o triplo de efeitos digitais. “Tudo o que havíamos feito até então no campo da animação digital tinha sido exibido em telas pequenas. Isso representou um ajuste no roteiro – sugerimos que nossas cenas fôssem sempre em áreas limitadas. A exceção foi a cena do estouro dos dinossauros. Aquilo foi um tremendo risco para todos nós.”

O Tiranossauro Rex, praticamente uma estrela do filme, foi criado com uma combinação de animatronics em larga escala e efeitos digitais – “em cenas escuras, felizmente, por sugestão nossa”, disse Muren. “Eram nove toneladas de aço”, Stan Winston recordou, na época. “Tínhamos que tratar com respeito, afinal era uma máquina imensa controlada por seres humanos.”

Para os atores, a adaptação a uma nova forma de fazer cinema de aventura foi inicialmente um desafio – e atores adoram um desafio. Laura Dern, vinda de Coração Selvagem, de David Lynch e do íntimo As Noites de Rose, de Martha Coolidge (que lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro), ficou empolgada e comparou Spielberg a David Lynch. “São dois visionários que não tem a menor intenção de ceder, comprometer sua visão”, ela nos disse em 1993. “Só posso ficar empolgada e ter um tremendo respeito por um realizador que diz – vou fazer o filme definitivo sobre dinossauros, vai ser extraordinário e imenso e vai se chamar Jurassic Park.”

E Sam Neill foi absolutamente profético: ”É muito bom estar num filme que as pessoas vão querer ver”, ele nos disse em 1993, quando Parque dos Dinossauros só havia sido exibido para a imprensa. “E todo mundo vai querer ver. Vai ser o filme do ano, podem estar certos.”

22 anos, uma franquia de quatro filmes – completada esta semana com Jurassic World- e mais de um bilhão de dólares de bilheteria, como ele estava certo!

Ana Maria Bahiana