Mad Max: How The Long Road To Fury Shaped One Of The Year’s Biggest Hits

by Ana Maria Bahiana June 11, 2015

George Miller had big and fast plans for a new Mad Max… back in 1998. Time, financial crises and assorted misfortunes conspired to delay the project and transform it into a feminist, ecologically empowered saga.

Agora que Mad Max: Estrada da Fúria já dominou o mundo todo com mais de 300 milhões de dólares na bilheteria internacional, talvez seja uma boa ideia lembrar como tudo começou- e que longa e estranha jornada o projeto teve que enfrentar até encontrar – como diria Immortan Joe- seu glorioso destino.

Segundo George Miller, a ideia do que viria a ser Estrada da Fúria apareceu em sua mente, bem definida, em 1998 quando ele estava em Los Angeles “ atravessando uma dessas avenidas enormes que tem aqui. Na progressão natural da narrativa de Mad Max, a violência entre os sobreviventes não diminuiria, pelo contrário. E os próprios sobreviventes, os seres humanos, seriam os bens mais disputados.”

De volta à Austrália, sua terra natal, Miller escreveu um primeiro argumento desenvolvendo esse esboço de história. “Eu tinha muito material de onde tirar ideias”, ele explica. “Enquanto eu estava fazendo os primeiros Mad Max eu estava sempre escrevendo e anotando ideias de histórias de pano de fundo, causas e consequências, narrativas paralelas, novos personagens possíveis. Mal sabia eu que teria ainda mais tempo para escrever muito mais…”

Verdade. Em 1999, um roteiro estava pronto, escrito a seis mãos por Miller, o artista gráfico (e fã de Mad Max) Brendan McCarthy e o ator e roteirista australiano Nico Lathouris (que fez uma ponta como um mecânico no primeiro Mad Max). Com o financiamento dos mesmos investidores da trilogia e a participação confirmada de Mel Gibson, as filmagens foram marcadas para setembro de 2001 _ e nunca começaram. Os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 e a profunda crise financeira que se seguiu foram o primeiro obstáculo.

Em 2003, Miller anunciou que o roteiro havia sido re-escrito, o financiamento estava “praticamente acertado” – 100 milhões de dólares, todos vindos da Austrália - e as filmagens iam começar “em breve”. A guerra no Iraque assustou os investidores, que passaram a ver o projeto como “politicamente delicado”. Finalmente, além do encolhimento do dinheiro, o desinteresse de Mel Gibson pôs o projeto, mais uma vez, na gaveta.

Miller ocupou-se com projetos diversos – video games, os dois longas de animação Happy Feet – mas o que ele chama de “o fantasma de Mad Max” nunca o deixou. Pensou em Heath Ledger para o papel. Considerou a hipótese de realizar o projeto como uma animação 3D, com um videogame como obra paralela. Em 2009, finalmente, “as coisas começaram a se encaixar”, Miller diz. Um roteiro enxutíssimo, curtíssimo, com muito pouco diálogo, foi convertido em 3.500 painéis de storyboards, realizados por cinco diferentes artistas. A Village Roadshow, parceira da Warner Brothers na Austrália, fechou um orçamento de 150 milhões de dólares. George Miller começou a mandar roteiro e propostas para atores cuidadosamente escolhidos.

O resto, como se costuma dizer, é história. Um elemento importante da história é a quase total reversão do eixo da narrativa: Max, um dos arquétipos da masculinidade heróica no cinema, foi praticamente relegado ao segundo plano pela Imperator Furiosa, a amazona pós-apocalíptica vivida por Charlize Theron. “Tudo começou com uma ideia simples “, diz Miller. “Nesta versão do futuro seres humanos saudáveis, capazes de dar à luz outros seres humanos saudáveis, seriam a carga mais cobiçada de todas. E esses seres humanos teriam que ser mulheres, e apenas uma mulher poderia ser a guerreira da estrada capaz de lutar por elas.”

“A ideia de como as mulheres sobreviveriam num mundo pós-apocalíptico é muito central na mitologia toda de Mad Max”, diz Charlize Theron. “É uma preocupação constante de George – e se elas não conseguissem de defender, sobreviver? Que opções teriam? Eu amei que minha personagem comece assim, como alguém absolutamente indefesa, raptada com o objetivo de procriar e, quando se mostra incapaz disso, descartada como algo que não presta. Uma mulher partida, que se transforma em uma mulher extraordinária. É como se George estivesse dizendo: Agora vou mostrar a vocês uma mulher de verdade.”

Ana Maria Bahiana