From Street Punk to Mega Star: The Many Lives of Mark Wahlberg

by Ana Maria Bahiana June 3, 2015

How faith, passion and determination transformed Mark Wahlberg’s life from troubled youth to movie star, producer and successful businessman.

Quem poderia imaginar, nos idos de 1985, que o caçula de uma boy band de sucesso iria se tornar, 25 anos depois, uma das forças motrizes de Hollywood e – mais que isso – um poderoso homem de negócios? Na verdade, se mudarmos o ponto de vista da nossa nave do tempo imaginária, a pergunta fica ainda mais interessante: quem poderia imaginar que o delinquente juvenil com mais de 25 autuações pela polícia de sua cidade natal, Boston, e uma passagem pela cadeia por tentativa de homicídio iria se transformar em todas essas coisas e também – pai de família exemplar, católico fervoroso e líder em ações de filantropia?

“Eu fiz muitos e muitos erros e paguei por todos eles”, diz Mark Wahlberg. “Mas o mais importante é que aprendi com eles. Você pode se arrepender e não aprender. Eu felizmente aprendi.”

Mark Robert Michael Wahlberg, o caçula de nove filhos de uma enfermeira e um motorista de caminhão, nasceu e cresceu nas ruas do bairro de Dorchester, em Boston, e largou a escola antes de se formar no segundo grau para, basicamente, fazer arruaça. Breakdancing e cantar no grupo criado por seu irmão Donnie, o New Kids on The Block passavam como opção de carreira.

Entre detenções e dois meses de cadeia por brigas de rua muitas vezes violentíssimas, Wahlberg começou a tomar jeito. Em 1990 transformou-se no rapper Marky Mark, disparou ao topo das paradas de sucesso, tornou-se modelo das cuecas Calvin Klein e começou a pensar seriamente numa carreira de ator. Na vida pessoal, um reencontro com a fé da sua infância operou o milagre de sossegar a fera: com o apoio do vigário de seu bairro natal, Padre Flavin, Wahlberg se tornou um católico fervoroso. “Minha fé foi o que deu uma virada na minha vida”, Mark diz. “Se tenho tantas coisas boas na minha vida, hoje, e a possibilidade de lidar com todas as minhas falhas do passado, devo tudo isso à minha fé.”

Não apenas à fé, certamente. Inicialmente em dúvida quanto às suas possibilidades como ator, Wahlberg rapidamente encontrou seu nicho e apurou sua técnica, misturando filmes pop – Transformers, Max Payne, Ted – com trabalhos de realizadores autorias como Paul Thomas Anderson – cujo Boogie Nights foi, sem dúvida, a chave mestra para deflagrar a carreira de Wahlberg : Martin Scorsese e Wes Anderson.

Mais que isso: rapidamente aprendeu a usar o poder e os recursos que vêm com o status de estrela para criar uma carreira multifacetada e sólida. Wahlberg tornou-se um produtor astuto, adquirindo e desenvolvendo boas propriedades intelectuais que resultaram em séries como Boardwalk Empire, Entourage (baseada em sua própria vida como astro ascendente), In Treatment e a nova Ballers, da HBO e filmes como Os Suspeitos, O Vencedor e O Grande Herói.

No espaço de uma década Wahlberg se reinventou, completamente. Hoje, além de sucessos no ramo do entretenimento, Wahlberg tem uma carteira de empreendimentos variados e igualmente bem sucedidos: uma cadeia de restaurantes fast food gourmet, The Wahlburgers, em sociedade com seus irmãos (“tem sido uma alegria para minha mãe, ela adora ver a família reunida”, ele diz); uma pizzaria; a água mineral AquaHydrate; participações em várias entidades esportivas; e uma ONG, a Mark Wahlberg Youth Foundation, dedicada a crianças e adolescenetes em situações de risco.

Com tantas atividades de sucesso, Wahlberg se considera sobretudo “um pai”. Casado desde 2009 com a modelo Rhea Durham, o casal tem quatro filhos que são, ele diz, sua prioridade na vida. “É complicado para eles ter um pai famoso”, Mark diz. “O importante é manter o diálogo constante. Quando estou trabalhando, estou sempre em contato com eles. Quando não estou trabalhando, eu fico em casa. Não saio mais, não tem mais balada. O importante é minha família, e manter um ritmo normal na vida das crianças.”

E qual seria o segredo do sucesso, segundo Wahlberg? “Paixão. Só faça algo que seja uma paixão para você.”

Ana Maria Bahiana