Conheça Amy Schumer, a comediante mais feroz da América

by Ana Maria Bahiana July 7, 2015

Amy Schumer is a force to be reckoned with, demolishing once and for all that ridiculous adage about women “not being funny”.

A maioria dos brasileiros descobriu Amy Schumer há pouco tempo, graças a um sketch de seu programa Inside Amy Schumer que, carregado no You Tube, virou viral em tempo recorde: nele, Amy encontra Patricia Arquette e Tina Fey ecelebrando, com um piquenique, o “último dia como uma mulher desejável” de Julia Louis-Dreyfuss. Em quatro minutos e trocados desmonta e eviscera todos os chavões sexistas de Hollywood com um humor feroz, implacável: exatamente os elementos definidores de Schumer, que tem colocado a jovem (33 anos) comediante em primeiro plano como uma das líderas (senão A líder) de uma invasão feminina e feminista da comédia nos Estados Unidos. “Eu tenho o maior orgulho de ser reconhecida como uma comediante feminista”, Amy nos contou recentemente. “Eu me identifico como feminista desde que aprendi o que a palavra significa. Ser uma comediante feminista não era meu objetivo mas com certeza é uma grande oportunidade. As feministas estão em boas mãos comigo.”

Na verdade Amy Schumer já era um nome estabelecido na comédia norte-americana - especialmente na comédia de ponta, de contestação - há mais de dois anos, graças à sua série Inside Amy Schumer, no canal (TV paga e online) Comedy Central. Mas antes mesmo do sucesso na TV Schumer já tinha dez anos de carreira como comediante stand-up em Nova York, conhecida por sua marca registrada, a mistura de franqueza e audácia com que transformava os detalhes mais íntimos de sua vida em munição contra o sexismo e machismo. “Na verdade, apenas 30% das minhas piadas são sobre sexo”, Schumer conta. “Creio que porque sou mulher as pessoas prestam mais atenção nisso, porque não estão acostumadas. Estamos mais acostumados a ver homens falando sobre sexo em comédia, e nem por isso eles são conhecidos como “comediantes de sexo”.

Amy Schumer nasceu em berço de ouro, numa família abastada do Upper East Side de Nova York, filha mais velha de um casal dono de uma fábrica de móveis infantis. Quando Amy tinha nove anos, seu mundo caiu: a fábrica declarou falência e seu pai foi diagnosticado com esclerose múltipla. Pouco tempo depois os pais se separaram e Amy e seus irmãos foram viver com a mãe num subúrbio modesto de Long Island.

Amy diz que soube desde cedo que sua vida seria nos palcos – “eu sempre soube que eu era engraçada”, ela diz” – mas , inicialmente, não pensava em ser comediante, e sim atriz. Estudou arte dramática e se mudou para Nova York em 2003 para trabalhar na Broadway. Como os trabalhos eram poucos e raros, Schumer começou a fazer bicos como garçonete e bartender no circuito de casas noturnas especializadas em stand up. E, numa noite em 2004, criou coragem e subiu ao palco num espetáculo aberto.

Não parou mais. Em 2007 Amy passou nos testes para ingressar o elenco do reality Last Comic Standing, da NBC, uma espécie de The Voice para comediantes stand up. Schumer chegaria à final, ficando em quarto lugar – “foi minha grande chance”, ela diz. Para o grande público norte-americano o momento que cravou a imagem de Amy Schumer em suas retinas foi sua participação no roast de Charlie Sheen, no canal Comedy Central, em 2011. Com seu rosto de anjinho renascentista, Amy, a menos conhecida do grupo de comediantes e personalidades (que incluia Seth McFarlane, Mike Tyson e William Shatner) e acabou com todos eles. Inclusive Charlie Sheen, é claro.

Daí surgiram as novas oportunidades na TV que culminariam com a estreia de Inside Amy Schumer, em 2013, e levariam, este mês, ao seu primeiro trabalho no cinema, como a estrela e roteirista de Trainwreck, dirigido pelo guru da nova comédia, Judd Apatow. A premissa é puro estilo Amy Schumer: uma jovem mulher que não acredita em monogamia, e tem, basicamente, o estilo de vida que em geral as comédias românticas reservam para os rapazes. “Eu tenho usado sexo como uma ferramenta de marketing e tem funcionado”, ela admite. “Mas o que quero mesmo é que as pessoas ouçam o que eu tenho a dizer.”

Ana Maria Bahiana