Narcos Showcases Brazilian Talent on Both Sides of the Camera/ Com Narcos, brasileiros abrem espaço na TV internacional

by Ana Maria Bahiana August 28, 2015

Brazilian talent has been slowly making its way into U.S. television, mainly through actors such as Morena Baccarin, Vinicius Machado and, soon, Rodrigo Santoro and Alice Braga. Netflix’s new series Narcos expands their presence with Elite Squad star Wagner Moura playing Pablo Escobar and Robocop director José Padilha calling the shots. HFPA member Ana Maria Bahiana talked to both. As coisas estão boas para talento brasileiro nos Estados Unidos – especialmente na TV, em todas as suas formas. Neste momento, temos dois brasileiros nas telinhas: a carioca Morena Baccarin é a Dra. Leslie Thompkins de Gotham (e será a Copycat de Deadpool, nas telonas ano que vem) enquanto o niteroiense Vinícius Machado é Nomar, da turma do traficante/dono de clube milionário Ghost na série Power, do canal premium Starz. Até pouco tempo, Vinícius estava em dobro nas telinhas – ele foi o perigoso Tony Chessani da segunda temporada de True Detective – e já tem um filme e um piloto de nova série em andamento. E ainda tem mais: Westworld, em produção na HBO, tem Rodrigo Santoro no elenco; e neste momento Alice Braga está em Dallas, no Texas, filmando The Queen of the South, a versão norte-americana da série espanhola/ mexicana/ colombiana La Reina del Sur, que por sua vez é uma adaptação do livro homônimo de Arturo Pérez-Reverte. Dirigida pela dinamarquesa Charlotte Sieling (The Americans, The Bridge, The Strain), Queen of the South estreia aqui em 2016, no canal USA. Alice faz a versão latino-americana, da personagem espanhola interpretada por Kate Del Castillo, a imigrante que, na luta pela sobrevivência, acaba se tornando uma chefona do tráfico. Esta semana a presença brasileira ganha ainda mais espaço com a estréia de Narcos, a nova série da Netflix criada e produzida por José Padilha (que também dirige os dois primeiros episódios) e estrelada por Wagner Moura no papel do supertraficante Pablo Escobar. A série nasceu durante a preparação de Robocop, quando o produtor Eric Newman mencionou a Padilha sua ideia para um filme em torno da caçada a Escobar. “Eu imediatamente pensei que uma história muito mais interessante seria contar tudo – como a cocaína se espalhou pela América Latina e como chegou aos Estados Unidos”, Padilha diz. “É uma história que me interessa pessoalmente. E para contar essa história o melhor formato era uma série.” Através de extensa pesquisa, Padilha e Newman desenvolveram um amplo arco narrativo que começa no Chile dos anos 1970 e vai dar na entrada triunfal da cocaína por todas as Américas, e além, nos anos seguintes. Embora elenco e trama sejam coletivos, atravessando países, cidades, culturas e idiomas (por escolha explícita de Padilha, cada personagem fala seu idioma com as devidas inflexões locais), a figura de Pablo Escobar domina a narrativa. E na cabeça de Padilha, apenas um ator podia ser Escobar: Wagner Moura, colaborador de longa data e astro dos dois filmes que colocaram o diretor no plano internacional, Tropa de Elite e Tropa de Elite 2. “Somos muito amigos, e o Zé é uma referência na minha vida e na minha carreira”, diz Wagner. “Nem pensei duas vezes.” O fato de Wagner ser brasileiro e saber quase nada de espanhol em nenhum momento desanimou a dupla. Pelo contrário: por sua própria conta Wagner foi para Medellin, na Colômbia, inscreveu-se num curso de espanhol numa universidade local e passou sete meses estudando em tempo integral, e convivendo, ouvindo, aprendendo sobre a Colômbia e o mundo de Escobar. “Eu tinha que fazer isso”, Wagner conta. “ Eu aprendi uma língua para fazer um personagem – foi a coisa mais difícil que já fiz na vida e por outro lado me jogou com força no universo da história.” Outra parte importante da preparação foi gastronômica: Wagner aproveitou esses sete meses também para “comer, comer muito para engordar. Eu estava muito magrinho. Imagina! Eu era um brasileiro magro que não falava espanhol chegando na Colômbia para ser Pablo Escobar! Eu não falava pra ninguém o que eu estava fazendo lá – eu tinha vergonha.” A vergonha não era necessária: uma vez que os colombianos descobriram o que Wagner fazia em seu país eles se tornaram uma fonte de inspiração e apoio. “Todo mundo me ajudou muito. Eu senti uma coisa inédita para mim: eu senti algo maior que ser brasileiro. Na Colômbia eu nunca senti que estava contando uma história que não tinha a ver comigo, com a minha realidade. O narcotráfico, a desigualdade social também existem no Brasil.” Para criar o seu complicado, assustador e profundamente humano Pablo Escobar, Wagner conta que “foi fundo no humano do personagem. É o que faço sempre, e nesse eu fui muito fundo. Eu queria entender como o Pablo era como homem, não procurei julgá-lo. Eu sei que, de um ponto de vista maniqueísta, ele era um homem mau. Mas ao mesmo tempo amava sua família, era um bom pai. O meu Pablo é meio um Pablo que eu estudei e um Pablo que eu inventei.” Ana Maria Bahiana Morena Baccarin | Vinicius Machado im01-morenabaccarin.jpgim02-viniciustruedetective.jpg